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Da Expectativa

Quase um ano atrás: Dezembro de 2019.

O parto foi difícil e eu esperava mais fácil.
Amamentar foi incrivelmente fácil e eu esperava extremamente difícil, até impossível.
A noite foi incrível e eu esperava tumultuada.
A recuperação do corpo é complexa e lenta e eu esperava simples e rápida.
A ausência da barriga imensa é uma das maiores alegrias da minha vida, e eu esperava saudade.
O puerpério começou doce e grato, e cheio de lágrimas, e eu esperava as lágrimas, mas as que imaginei seriam de desespero, não de felicidade.
Um mergulho em mim. Um olhar para quem fiz e me ver recém-nascida, e olhar para mim e me ver mais forte do que me imaginava, e olhar para ele e ver quem ainda não conheço mas já é um companheiro.
As regras que me ensinaram, notar que não sei executá-las. Que algumas não funcionam para mim. Que algumas pareciam difíceis e foram fáceis.
Avessos, conflitos, refúgios, afetos.
Tudo isso é imensidão desconhecida impressionante que imaginei ser a maternidade.

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Aprendi que hoje é festa de nascimento, e tomei fôlego para contar, 9 dias depois, do único nascimento que assisti (e de que fiz parte), que (já) mudou a minha vida para melhor – e para sempre.
A data prevista de parto do Francisco era 23 de dezembro, e eu sonhava que ele viesse antes do natal. Pedia para que ele viesse antes.
Me preparei a gravidez toda para um parto normal. Fiz exercício, trabalhei, fiz fisioterapia pélvica, epi-no, meu marido aprendeu massagens para aliviar contrações, enfim, tive uma gestação quase impecável.
Mas a gente não controla nada, e dia 16 de dezembro, depois de uma manhã normal, comecei a passar muito mal depois do almoço. Não me alarmei. Mas em uma hora a dor já estava nível máximo, com pausas minusculas, e meu marido veio pra casa voando pra me encontrar chorando e gemendo deitada debaixo do chuveiro. 1h depois a bolsa estourou, mas sem alegria: a água da bolsa tinha uma coloração que eu sabia que podia significar sofrimento fetal.
Fomos para o hospital com contrações de dois em dois minutos, mas respirando e cantando a playlist do nascimento.
Quando chegamos enfim, foi constatado que o neném estava bem e podíamos tentar ainda parto normal. A única hora que passamos na sala de parto humanizado foi das mais bonitas (e dolorosas) da minha vida. Cada música que tocava, novo fôlego.
Mas veio a notícia: o neném não ia aguentar aguardar, tínhamos que fazer cesariana.
Imediatamente topei, feliz, porque a dor ia passar, e a vida do meu filho estaria salva.
Tivemos uma cesariana linda, ouvindo a canção que meu irmão @lucascaram fez pro Francisco, e recebi no cangote o neném assim que ele veio ao mundo, aquela coisa gosmenta e gostosa, que me fez chorar tudo que não chorei uma vida inteira.
Há mulheres que têm partos normais lindos. Há mulheres que agendam cesariana. Há mulheres como eu, que querem uma coisa e fazem o necessário na hora. Eu alertaria para o fato de que a recuperação da cesariana é dolorosa, longe da praticidade que se imagina. Passar pelo trabalho de parto é bom. Mas não acho que nenhuma mulher deva sentir culpa. Nem medo. Tenho orgulho do que fiz. Há vida tão além do parto! E toda nova vida é orgulho. 💙